11/12/2008

Súplica

Em todas as vidas
É chegada uma hora
Em que se precisa de outro,
Em que não se vive mais sozinho.

Até aqueles que um dia foram distintos,
Diferentes e independentes,
Até aqueles que moravam na selva,
Entre nada mais que animais e plantas silvestres...

Até eles sofrem dos males da alma.
Até os mais sábios não contêm a loucura.
Até a mais querida se vê longe de ternura...

É chegada a hora de pedir ajuda,
De gritar socorro e, por favor, acuda!
É chegada a hora de deitar e dormir,
E chorar e sentir que o amanhã sempre virá.

E mais feliz que o hoje não será,
Pobre de nós que só iremos nos atormentar.
Pobre de nós que morreremos
No vazio do nosso próprio lar.


Autora: Julia Niemeyer

Um comentário:

Anônimo disse...

Esse poema foi incrível. Magnífico.
Existem momentos em que não há nada melhor do que um soco no estômago... daqueles cinematográficos.
Assistir aqueles filmes ou ler aquelas palavras que produzem um feroz rasgo na alma... que abrem feridas profundas e amargas, que não tão cedo irão cicatrizar.
Li uma vez que a linha que separa a dor do prazer é tal tênue que só posso supor que essas feridas trazem, de algum modo, algo muito bom, muito puro.
É como tocar os seus pontos mais sensíveis e, antes de qualquer coisa, descobrir quais são esses pontos. É a descoberta da própria sutileza e da própria sensibilidade.
Os seus poemas mostram que você entende perfeitamente disso.