11/12/2008

Súplica

Em todas as vidas
É chegada uma hora
Em que se precisa de outro,
Em que não se vive mais sozinho.

Até aqueles que um dia foram distintos,
Diferentes e independentes,
Até aqueles que moravam na selva,
Entre nada mais que animais e plantas silvestres...

Até eles sofrem dos males da alma.
Até os mais sábios não contêm a loucura.
Até a mais querida se vê longe de ternura...

É chegada a hora de pedir ajuda,
De gritar socorro e, por favor, acuda!
É chegada a hora de deitar e dormir,
E chorar e sentir que o amanhã sempre virá.

E mais feliz que o hoje não será,
Pobre de nós que só iremos nos atormentar.
Pobre de nós que morreremos
No vazio do nosso próprio lar.


Autora: Julia Niemeyer

Aceno ao horizonte distante

E assim em papel eu me desmancho.
Minhas idéias, loucuras e tristezas
A folha recebe em garranchos.

Quando os ouvidos tu fechas,
Quando não mais me iludes,
O ferimento me cobre o peito
E para você eu desapareço.

Não mais rascunho,
O bálsamo eu procuro,
Algo que me entenda, me ouça,
Aqueça-me com palavras de doçura.

Vejo-te ao longe, muito longe,
Minha voz não te alcança...
E o papel lê palavras de amargura impressa.


Autora: Julia Niemeyer

Escudo cristalino

A cada ferida que me abrem,
A cada cicatriz que não se fecha,
A cada dia desolada,
Em que eu passo isolada,
Desconsolada, eu me fecho.

E a cada minuto que se passa,
Minha tristeza se engrandece,
E a cada segundo que se arrasta,
Meu escudo se fortalece.
No final, você se afasta.

Eu repilo tudo,
Eu me escondo de todos.
Assim ninguém me machuca,
Assim as feridas não se fecham,
Mas também não se abrem.

E assim eu fico sozinha,
Assim eu me sinto péssima.
E enquanto ninguém se importa
O ciclo se fecha...e depois continua.
Assim eu vivo em profunda amargura.


Autora: Julia Niemeyer

10/12/2008

And what if I give up?!
The rest of me
Is no longer something good.
What remained of that body
Is a lost and meaningless soul

The laughter me is gone.
The cheer in me is vanished.
The truth in me is obscure.
And I still linger on
Something I do not know…

I try really hard to go on,
And I seem to be everything
Everyone runs away from…
I keep feeling alone,
Even when they’re not gone.

Maybe they don’t understand me.
Maybe I don’ understand them…
Maybe this is not meant for me.
Maybe this deep wound won’t be healed.
So what if I give up?


Autora: Julia Niemeyer

03/12/2008

Escuridão.

É tudo tinta.
É tudo máscara.
E eu sou sombra.
E sombra serei até que outro me assombre,
Até que outro me dispense,
Até que outro me apague.
E que me apague,
Que me suma,
Que me mate...
Morta já estou.

Autora: Julia Niemeyer