Cabelos longos caindo-lhe pelas costas
Às vezes arroxeados e outras, amendoados.
Olhos redondos me fitam com olhar cativante,
Impenetrável,
Um baú de surpresas inviolável.
Tristeza e pureza
É criança, é mulher.
E canta como o pássaro nas palmeiras.
Minha musa forasteira,
Esquece-me, despeja-me.
Mas me ilude, para minha tristeza.
Vivo a pensar em teu dançar
E nos tempos em que em meu leito
Por horas fez questão de estar.
E me entristece quando a vejo
O tom de voz mudar
As sobrancelhas por sobre os olhos levantar
E gotas derramar para que
Meu colo venha molhar.
Minha amada te quero bem
E o faço melhor do que outrem.
Por que choras, minha Deusa?
Por que Cupido fez o artifício
De teu coração atormentar?
E o meu despedaçar...
Tu és a heroína de meu Romance
Àquela atribuo o papel de vilã
E a mim, de futura manhã.
Se me permitisses tentar,
Das palmeiras onde tu
Virias cantar, meu sabiá,
Levaria-te ao infinito
Faria-te a ninfa mais feliz
De todas as águas do mar.
Levaria-te comigo até ao altar
Para nas nuvens flutuar e nos problemas
Não mais pensar.
Seríamos um só, corpo e alma.
Viraríamos Deus e Deusa
Do amor infinito que reina no ar.
Se me permitisses tentar.
Autora: Julia Niemeyer