Minha vida é um nada. Eu não produzo nada. Tudo se resume na dor. Uma dor inexplicavelmente ruim. Ela é uma junção de todas aquelas dores que você não suporta: ela pinica, ela arde, ela dá câimbra, ela rasga, ela fisga, ela destrói...destrói a mente, a alma, o corpo. É a dor que te consome num todo. Hoje já não sobra mais nada pra mim. A minha vida, meus dias e noites, minhas decisões do dia-a-dia, minhas atividades, meus pensamentos, tudo, tudo se relaciona à dor. Tudo é para me livrar nessa dor, tudo pra fugir dela, tudo pra amenizá-la. Tudo pra sufocá-la. Eu vou dormir esperando não acordar e acordo esperando dormir. Essa dor tomou conta de mim. Eu saio de casa pra esquecer dela. Eu converso com pessoas pra não pensar nela. Eu ouço música mais alta que meus pensamentos pra não saber mais dela. Eu leio pra não pensar na minha vida, eu vejo filmes pra viver outras vidas. Minha vida é ela. Eu jogo jogos e finjo que me divirto. Eu finjo que sorrio. Eu finjo que acho graça. Finjo que quero. Finjo que não quero. Quando no fundo eu não sinto é nada. Só a dor...a dor me consome! A dor me matou. Mas a morte na vida é ainda pior. Eu ainda sinto, ainda sou. Meu coração ainda bate e o oxigênio ainda alimenta meus neurônios. Eu ainda estou consciente. Eu vou viver com essa dor. Minha vida agora é ela e eu vou aprender a guardá-la mais fundo. Vou aprender a acordar e pensar e andar e sentir outras coisas que não sejam a dor. Vou viver por outras razões. Mas ela ainda estará lá.
Ela ainda será parte de mim. Ela ainda será eu. A dor será sempre eu. Eu serei sempre a dor. Quando penso nos últimos meses, eu não penso em nada. O que eu fiz, afinal? Eu doí. Eu fingi. Eu dormi e acordei....mais dormi do que acordei. Eu olhei muitas coisas, mas nada vi. Eu caí e não levantei, e caída ainda estou. Choveu, me molhei. Nada me secou. Adoeci e não melhorei. Mais uma vez eu dormi. Resolvi pedir ajuda, achei forças em mim, achei vontade de viver, de andar e de acordar e de ver. Mas a dor continua aqui. Eu já me viciei. Eles fecham e eu abro. Eu abro e vejo escorrer... Mas a dor não escorre junto. E eu abro de novo, e espero vê-la sair. Espero vê-la. Espero. Espero. Espero. A dor não sai. De nenhum jeito ela sai. E fechada novamente estou. A dor se apossou de mim. Se apossou da minha vitalidade, do meu alimento, do meu enchimento. Agora estou vazia. Ela me consumiu. Agora sou um saco vazio. Um saco vazio com dor. Vou mudar. A antiga eu sumiu. É essa dor que agora vive por mim.
Autora: Julia Niemeyer
20/07/2009
13/07/2009
Tentativas
É muito estranho ser um ser dividido?
É muito estranho querer e não querer?
É incompreensível querer acabar com a dor
Mas não saber querer o bálsamo necessário?
É estúpido ter medo de seguir
E acabar sendo esquecida?
Virando algo inútil,
Só mais uma na sua vida?
É tão estúpido não querer abrir mão
De algo que um dia foi grande
E acabar vivendo a vida
Com essa dor torturante?
Eu não entendo como poderia ir.
Eu não entendo como se deve seguir...
Eu não entendo como minhas pernas se movimentam...
Eu não entendo o por quê de eu ter de partir.
Eu choro por ter nascido para sentir.
Você se fecha para não sofrer.
Sua vida passa e você não vê.
E eu assisto você se trair...
Eu quero querer prosseguir.
Eu quero pular pedras,
Quero parar de cair.
Eu quero deixar esse posto e fugir daqui.
Alguém me adote por favor.
Esse buraco só aumenta a dor.
Sou orfã de corpo e alma,
Sou puro sofrimento e um vazio de amor.
Eu não mais pertenço a lugar algum.
Eu não mais aqueço corpos,
Eu não mais produzo risos,
Eu não mais tenho forças pra amar ser nenhum.
Autora: Julia Niemeyer
É muito estranho querer e não querer?
É incompreensível querer acabar com a dor
Mas não saber querer o bálsamo necessário?
É estúpido ter medo de seguir
E acabar sendo esquecida?
Virando algo inútil,
Só mais uma na sua vida?
É tão estúpido não querer abrir mão
De algo que um dia foi grande
E acabar vivendo a vida
Com essa dor torturante?
Eu não entendo como poderia ir.
Eu não entendo como se deve seguir...
Eu não entendo como minhas pernas se movimentam...
Eu não entendo o por quê de eu ter de partir.
Eu choro por ter nascido para sentir.
Você se fecha para não sofrer.
Sua vida passa e você não vê.
E eu assisto você se trair...
Eu quero querer prosseguir.
Eu quero pular pedras,
Quero parar de cair.
Eu quero deixar esse posto e fugir daqui.
Alguém me adote por favor.
Esse buraco só aumenta a dor.
Sou orfã de corpo e alma,
Sou puro sofrimento e um vazio de amor.
Eu não mais pertenço a lugar algum.
Eu não mais aqueço corpos,
Eu não mais produzo risos,
Eu não mais tenho forças pra amar ser nenhum.
Autora: Julia Niemeyer
06/07/2009
Ata-me
Nunca imaginei que um dia
Olhar para o seu rosto tão familiar
Muito me iria machucar.
Nunca imaginei que esse dia
Realmente chegaria.
Para mim com você
O “Para Sempre” poderia ser.
Nunca imaginei que a minha vontade
De estar com você, te ouvir, te tocar e te ver
Teria de ser tão fortemente combatida.
Como me explicar essa dor ardida
Agonizante, intocável, incurável?
Como me explicar que palavras não valem nada?
Como me explicar que atos valem mais,
Apesar de serem mais facilmente esquecidos?
Como me explicar esses atos
Contrários às mil juras de amor?
Como me explicar?
Será explicável?
Vale a pena tentar?
Maldito momento em que te deixei me atar.
Agora você caminha, está longe,
E eu não posso me soltar.
Uma parte de mim não quer nem tentar...
Agora você está em tudo que me é familiar,
Tudo que me fazia bem,
Tudo que eu usava para me refugiar.
Não, eu não quero me soltar,
Pois sozinha eu já não ando
E seria em vão me esforçar...
E você corre.
Você corre e não olha para trás.
Suas memórias trancadas,
Apodrecidas.
Nunca elas serão soltas, nunca te machucarão.
As minhas eu não consigo trancar, pois,
De certa forma, é por elas que eu vivo.
Ata-me.
Autora: Julia Niemeyer
Olhar para o seu rosto tão familiar
Muito me iria machucar.
Nunca imaginei que esse dia
Realmente chegaria.
Para mim com você
O “Para Sempre” poderia ser.
Nunca imaginei que a minha vontade
De estar com você, te ouvir, te tocar e te ver
Teria de ser tão fortemente combatida.
Como me explicar essa dor ardida
Agonizante, intocável, incurável?
Como me explicar que palavras não valem nada?
Como me explicar que atos valem mais,
Apesar de serem mais facilmente esquecidos?
Como me explicar esses atos
Contrários às mil juras de amor?
Como me explicar?
Será explicável?
Vale a pena tentar?
Maldito momento em que te deixei me atar.
Agora você caminha, está longe,
E eu não posso me soltar.
Uma parte de mim não quer nem tentar...
Agora você está em tudo que me é familiar,
Tudo que me fazia bem,
Tudo que eu usava para me refugiar.
Não, eu não quero me soltar,
Pois sozinha eu já não ando
E seria em vão me esforçar...
E você corre.
Você corre e não olha para trás.
Suas memórias trancadas,
Apodrecidas.
Nunca elas serão soltas, nunca te machucarão.
As minhas eu não consigo trancar, pois,
De certa forma, é por elas que eu vivo.
Ata-me.
Autora: Julia Niemeyer
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