07/10/2011

Se

E se eu soubesse o que é o imaginário?
O que é real, o que é herdado...
É essa memória que me entorpece!
E se eu pudesse bloquea-la?
Ou mesmo bloquear esse medo
Que me enfraquece...

E se eu simplesmente sentir?
Perder a razão, fugir...
Mas a angústia é demais pra mim
E se torna meu maior obstáculo.

Aprender com a vida é
A maior aprendizagem do homem.
Mas é uma lição dolorosa.

Queria eu saber esquecer...


Autora: Julia Niemeyer

18/03/2011

Xadrez

O meu mundo estava quadrado
Quadrado e quadriculado.
E eu, pião, mesmo não rainha,
Muito menos rei,
Ficava a mercê da jogadora
Andando pouco a cada vez.

No começo restringida
A dois paços de cada vez
Com medo daquele mundo
Pouco o explorei.

Mas hoje eu já mudei.
Devagar estou virando o jogo.
E sem medo deslizo e descubro
Cada quadrado, preto ou branco,
Cada espaço, pequeno ou amplo,
E meu mundo vai ficando redondo.

Rodando, indo e voltando,
Minha vida vai passando.
E enquanto se modifica meu molde
Cronos bem devagar me engole.

Cada aspecto do que é, foi.
Vejo novos horizontes, sinto novos cheiros.
Mas as imagens do que era
Ainda me põem medo.
Apesar de a vontade ser grande
O esquecimento leva tempo...


Autora: Julia Niemeyer

06/03/2011

Poesia dos três

Saudade, saudade, saudade...
Lembrança, lembrança, lembrança...
Figuras, figuras, figuras...

Trêz vezes imaginação.
Três vezes sentimentos.

Dor, dor, dor...
Lamento, lamento lamento...
Desespero, desespero, desespero...

Três vezes limites.
Três vezes apelos.

Tapa, tapa, tapa...
Ferida, ferida, ferida...
Marca, marca, marca...

Três vezes cicatriz.
Três vezes causa.

Amor, amor, amor...
Música, música, música...
Poesia, poesia, poesia...

Três vezes arte.
Três vezes eu.

Valor, valor, valor...
Perda, perda, perda...
Vazio, vazio, vazio...

Três vezes passado.
Três vezes futuro.

Erro, erro, erro...
Castigo, castigo, castigo...
Culpa, culpa, culpa...

Três vezes religião.
Três vezes vida.


Autora: Julia Niemeyer

Apelo

Alguém me salve da ansiedade.
E desse poder que ela tem.
Por favor, me salve dessa angústia,
Parece até que eu não morro sem...
Me tira, me tira desse buraco.
Por favor, eu te imploro,
Me deixa ir, me deixa ir...

Se não o tom da sua linda voz,
Se não a visão do seu lindo rosto,
Se não o som do seu riso,
Apenas ouvir seu nome, imaginá-la,
Traz tormento ao meu peito.
Então por favor, suma...me deixe sumir.

Preciso parar de sentir,
Parar de lembrar, de imaginar.
Quero fugir para o abrigo da dormência,
Que um dia me serviu de refúgio,
Mas de onde você já antes me tirou.
Você me roubou, me usou, e me estragou.

E é minha loucura, não sua culpa, eu sei...
E eu me entreguei uma vez
E de tal forma que me perdi...
Agora não sei se consigo achar
Meu caminho de volta para a sanidade.

É uma dor excruciante amar alguém assim.
Amá-la mal amado, mal cuidado.
E por isso eu me desculpo,
Sem esperar que aceite o que digo.
Mas entenda minha doença,
Afinal você é ela...

A doença chamada amor é difícil de se curar,
Mas um dia eu espero conseguir me recuperar.
É como se limpar de uma droga já muito usada:
Difícil de primeira, talvez impossível...
A dor me cega, meu choro me afoga,
E apesar de não saber se estou pronta,
Pelo menos eu sei que quero tentar.


Autora: Julia Niemeyer

13/01/2011

Libertei-me

Eu sei que demoro...
Mas a demora nem sempre é ruim.
Dez anos, dez dias...o importante é sair.
E quanto mais fora do casulo
A borboleta se encontra,
Mais alto e bonito é seu vôo.

E eu sei que voarei alto.
E dessa vez sem cair
Só porque dessa vez
Eu realmente quero sair.

E cada vez mais o limão
Vai se tornando por completo
Uma laranja lima doce.
Mais doce que o ar de verão,
Mais doce que a lenha
Queimando no inverno...

E com o tempo demorado
O ciclo se expande e circula,
Umas vezes pra trás,
Mas na maioria das vezes em frente.

Minha casca esverdeada já não mais
Combina com meu interior adocicado.
E eu estarei saindo do casulo aos poucos
E demorando o tempo que devo,
Mas minhas asas já são aparentes e funcionais,
E eu não mais tenho medo de usá-las.


Autora: Julia Niemeyer