Todos confinados
Como porcos
Animais indomáveis,
Mas domesticados.
A mente não enxerga
Pelos sentidos perdidos.
Ainda assim a consciência pesa
E castiga o vilão.
Lá não se denomina.
Lá não se chama uns aos outros.
Nenhum cão reconhece outro cão
Pelos nomes que lhes foram postos.
O tempo se passou.
Pouco pros de fora,
Eterno pros de dentro.
Cada camarata é um canil.
Não há mais humanos.
Não nesse manicómio...
Cegos por dentro,
Mortos por fora.
Quem sabe ao final da trama,
Os reais desprovidos de vista
Não sejam, na profunda desordem,
Os que se dizem donos da liberdade?
Quem sabe o alienista
Não é o alienado?
Autora: Julia Niemeyer