16/12/2009

Me veja, me leia!

Cheguei à linha de chegada,
Numa nova de partida,
E lá está você
De mãos estendidas.

O que será que devo fazer?
Olho para um lado e há um mundo,
Olho pra ti e é outro curso!
Por que caminho devo seguir?

Olho meus pés no chão,
Que se recusam a se mover.
Estou anestesiada.
Só minha mente pode ver...

Que com você é tudo mais lindo,
Tudo mais gracioso,
Tudo mais feliz, mais amoroso.
Com você eu acredito, eu sorrio.

Mas quando a mão vou estender,
Meu coração começa a doer,
O medo em minha testa vem bater,
Inseguranças me paralisam.

Eu quero gritar que te quero,
Quero correr pro seu lado,
Quero te abraçar e não largar,
Caminhar contigo sem perigo...

Mas me falta acreditar,
Ainda não posso falar.
A anestesia não passa,
Tenho muito o que provar.

Quero viver com você,
Mas quando terei coragem pra perceber?
Quando poderei me mover?
Quero morrer com você.


Autora: Julia Niemeyer


08/12/2009

The way I am

I’m not functional.
I’m a dead system,
A virus infected hardware,
A lost paper that’s wet.

I’m a paradoxical phrase,
The limits of a substance phase,
A wrong mathematical equation,
The worst of artistic creations.

I’m the lost thoughts of a dead man,
His illogical words that faint,
A child’s cry that’s not heard,
A phantom song that’s absurd.

I don’t feel what I think.
I think things I can’t feel.
I want what I can’t have.
I have things I don’t care about.

I’m the fragility of humanity,
The flaws of nature,
The control of the subconscious mind,
The fears on the eyes.

I’m lost and regret,
I’m hurt and despair.
I’m the trust of the pessimist,
I’m a gun on someone’s head.

I’m already dead,
But my heart keeps on beating.
I’m asleep when awake,
I’m stronger when I’m afraid.


Autora: Julia Niemeyer

Changes

You ask me to forget and forgive,
But now I say it’s too much for me.
I can’t trust us no more.
What if you walk away again
And slam the door?

I don’t wanna be sitting here once more
Surrounded by tears,
Not wanting to live.
How is it possible to go to you now
If I don’t know what I’d be going to?

How can I trust my feelings again?
Once is enough for one to be betrayed.
For it’s clear that love is not enough.
That tomorrow is a scary unknown
And in the end I’ll be alone.

Right now I just miss the old days,
The ones that can not be anymore.
They’re gone, like you were…
They’re dead, like I am.
Times are changed, like we all are.


Autora: Julia Niemeyer

08/11/2009

Restos meus

Sem você
O vento que bate me corta,
O frio que eu sinto me congela
E o calor me cozinha.

O cheiro que eu sinto intoxica,
O ar que respiro me mata.
As estrelas que brilham me queimam
A água que bebo me desidrata,

A comida me desnutre,
O céu azul me enraivece,
A noite entristece.

Cada passo que eu dou
Me traz mais perto da morte.
A pouca felicidade que sinto,
É essa grande dor em disfarce.

As lágrimas que escorrem
Já são bem vindas.
Os sonhos já fazem parte da trilha.
A saudade é a razão da minha vida.

Sem você
A agonia faz parte do dia-a-dia,
Isso não é vida que se viva.


Autora: Julia Niemeyer

17/10/2009

Finalmentes reversos

E quando você finalmente se desliga
Mas sente falta daquele laço?
E começa a passar a vida
Procurando aquela fita?

Não se sabe o que fazer,
A falta te faz enlouquecer.
E quando o amor não é o bastante
A confusão começa a doer.

Querer mudar para no futuro voltar,
Querer saber o que fazer
Pra não perder,
Pra não deixar passar...

Mas tudo passa,
Cada momento,
Cada sentimento,
Cada insegurança.

E cada vez que eu te olho
E lembro do que teu olhar
Um dia me contou
Eu choro, pois o livro se fechou.

E eu o deixo na minha estante
Para cada instante
Lembrar do que se passou..
Mas o que eu faço com a dor?

Me acabo nos finalmentes reversos.

Autora: Julia Niemeyer

27/09/2009

A lágrima

Não quer sair.
Já abri os olhos.
As palavras não querem sair.
Já abri a boca.
O cheiro não quer sair.
Já abri a janela.
O sangue não quer sair.
Já abri a pele.
A dor não quer sair.
Já abri meu refúgio.
Ela não quer sair.
Já abri o caminho.
Eu não quero sair.
Me voltou o vazio.

Quero fugir.
Quero fugir.
Quero fugir.
Quero fugir.




Autora: Julia Niemeyer

31/08/2009

Peça filmada

Naquele momento a peça encerrou.
Meu coração acelerou e parou,
Meus olhos se fixaram e se fecharam,
O meu olhar morreu.

Foi quando eu te vi e você não estava lá.
Quando eu gritei e você não ouviu,
Quando eu acenei e você ignorou,
Quando você olhou e não me viu.

O tempo parou de passar,
Os sons pararam,
As luzes apagaram,
A câmera passou a girar

Em volta de mim e focando a minha dor,
A câmera me deixou tonta
Mas eu não caí. Fechei meus olhos,
Não pensei em mais nada.

Minha razão se foi,
Minha emoção tomou conta de mim.
E rugas de frustração
Ainda marcam o meu rosto.

Foi quando eu não pude mais chorar.
Foi quando eu te olhei e não pude me lembrar,
Quando você passou e eu não te escutei respirar,
Foi quando o meu mundo acabou.

Foi quando eu desisti e morri.
Quando não mais senti,
Quando senti demais,
Quando eu nasci e vivi.

Se não você, nada mais.
E assim envelheci.


Autora: Julia Niemeyer

10/08/2009

A morte dos princípios

Eu estou trabalhando na minha morte.
Estou me desintegrando como posso,
Estou apodrecendo aos poucos,
Estou esvaziando e murchando.

Eu estou desaparecendo,
Estou me batendo, me machucando,
Estou liberando o vazio,
Estou deixando um vácuo sentido.

Eu vou morrer completamente.
Vou mudar esteticamente,
Vou deitar, apagar, fechar os olhos,
Vou parar de falar.

Eu vou deixar de responder ao mundo,
Vou deixar meu corpo em desuso,
Vou parar de escutar, de andar,
Vou me manter no seguro.

Vou renascer completamente.
Um novo eu. Uma nova você
Em mim vai se erguer.
Eu terei nova alma e nova mente.

Caminharei novos caminhos,
Pensarei novos pensamentos.
Terei novos conceitos,
Respirarei novamente.

Vou surgir das cinzas do passado,
Pra construir um novo futuro.
Vou me matar para viver
Deixando de viver por você.


Autora: Julia Niemeyer

20/07/2009

2009

Minha vida é um nada. Eu não produzo nada. Tudo se resume na dor. Uma dor inexplicavelmente ruim. Ela é uma junção de todas aquelas dores que você não suporta: ela pinica, ela arde, ela dá câimbra, ela rasga, ela fisga, ela destrói...destrói a mente, a alma, o corpo. É a dor que te consome num todo. Hoje já não sobra mais nada pra mim. A minha vida, meus dias e noites, minhas decisões do dia-a-dia, minhas atividades, meus pensamentos, tudo, tudo se relaciona à dor. Tudo é para me livrar nessa dor, tudo pra fugir dela, tudo pra amenizá-la. Tudo pra sufocá-la. Eu vou dormir esperando não acordar e acordo esperando dormir. Essa dor tomou conta de mim. Eu saio de casa pra esquecer dela. Eu converso com pessoas pra não pensar nela. Eu ouço música mais alta que meus pensamentos pra não saber mais dela. Eu leio pra não pensar na minha vida, eu vejo filmes pra viver outras vidas. Minha vida é ela. Eu jogo jogos e finjo que me divirto. Eu finjo que sorrio. Eu finjo que acho graça. Finjo que quero. Finjo que não quero. Quando no fundo eu não sinto é nada. Só a dor...a dor me consome! A dor me matou. Mas a morte na vida é ainda pior. Eu ainda sinto, ainda sou. Meu coração ainda bate e o oxigênio ainda alimenta meus neurônios. Eu ainda estou consciente. Eu vou viver com essa dor. Minha vida agora é ela e eu vou aprender a guardá-la mais fundo. Vou aprender a acordar e pensar e andar e sentir outras coisas que não sejam a dor. Vou viver por outras razões. Mas ela ainda estará lá. Ela ainda será parte de mim. Ela ainda será eu. A dor será sempre eu. Eu serei sempre a dor. Quando penso nos últimos meses, eu não penso em nada. O que eu fiz, afinal? Eu doí. Eu fingi. Eu dormi e acordei....mais dormi do que acordei. Eu olhei muitas coisas, mas nada vi. Eu caí e não levantei, e caída ainda estou. Choveu, me molhei. Nada me secou. Adoeci e não melhorei. Mais uma vez eu dormi. Resolvi pedir ajuda, achei forças em mim, achei vontade de viver, de andar e de acordar e de ver. Mas a dor continua aqui. Eu já me viciei. Eles fecham e eu abro. Eu abro e vejo escorrer... Mas a dor não escorre junto. E eu abro de novo, e espero vê-la sair. Espero vê-la. Espero. Espero. Espero. A dor não sai. De nenhum jeito ela sai. E fechada novamente estou. A dor se apossou de mim. Se apossou da minha vitalidade, do meu alimento, do meu enchimento. Agora estou vazia. Ela me consumiu. Agora sou um saco vazio. Um saco vazio com dor. Vou mudar. A antiga eu sumiu. É essa dor que agora vive por mim.


Autora: Julia Niemeyer

13/07/2009

Tentativas

É muito estranho ser um ser dividido?
É muito estranho querer e não querer?
É incompreensível querer acabar com a dor
Mas não saber querer o bálsamo necessário?

É estúpido ter medo de seguir
E acabar sendo esquecida?
Virando algo inútil,
Só mais uma na sua vida?

É tão estúpido não querer abrir mão
De algo que um dia foi grande
E acabar vivendo a vida
Com essa dor torturante?

Eu não entendo como poderia ir.
Eu não entendo como se deve seguir...
Eu não entendo como minhas pernas se movimentam...
Eu não entendo o por quê de eu ter de partir.

Eu choro por ter nascido para sentir.
Você se fecha para não sofrer.
Sua vida passa e você não vê.
E eu assisto você se trair...

Eu quero querer prosseguir.
Eu quero pular pedras,
Quero parar de cair.
Eu quero deixar esse posto e fugir daqui.

Alguém me adote por favor.
Esse buraco só aumenta a dor.
Sou orfã de corpo e alma,
Sou puro sofrimento e um vazio de amor.

Eu não mais pertenço a lugar algum.
Eu não mais aqueço corpos,
Eu não mais produzo risos,
Eu não mais tenho forças pra amar ser nenhum.


Autora: Julia Niemeyer

06/07/2009

Ata-me

Nunca imaginei que um dia
Olhar para o seu rosto tão familiar
Muito me iria machucar.

Nunca imaginei que esse dia
Realmente chegaria.
Para mim com você
O “Para Sempre” poderia ser.

Nunca imaginei que a minha vontade
De estar com você, te ouvir, te tocar e te ver
Teria de ser tão fortemente combatida.

Como me explicar essa dor ardida
Agonizante, intocável, incurável?
Como me explicar que palavras não valem nada?
Como me explicar que atos valem mais,

Apesar de serem mais facilmente esquecidos?
Como me explicar esses atos
Contrários às mil juras de amor?

Como me explicar?
Será explicável?
Vale a pena tentar?

Maldito momento em que te deixei me atar.
Agora você caminha, está longe,
E eu não posso me soltar.
Uma parte de mim não quer nem tentar...

Agora você está em tudo que me é familiar,
Tudo que me fazia bem,
Tudo que eu usava para me refugiar.

Não, eu não quero me soltar,
Pois sozinha eu já não ando
E seria em vão me esforçar...

E você corre.
Você corre e não olha para trás.
Suas memórias trancadas,
Apodrecidas.

Nunca elas serão soltas, nunca te machucarão.
As minhas eu não consigo trancar, pois,
De certa forma, é por elas que eu vivo.

Ata-me.


Autora: Julia Niemeyer

18/06/2009

Esquecida

Eu estou virando a primeira página.
E ela ainda me dói.
E não me surpreendo
Vendo que seu livro está jogado no canto
Criando amontoados de pó.

Há quanto tempo acabou de ler?
Há quanto tempo conseguiu esquecer?
Há quanto tempo parou de sofrer?
Coisas que sei, mas não quero saber...

É triste viver como eu.
É triste amar a outro mais que a mim.
É triste não querer viver,
É triste não ter coragem pra vencer.

É tudo triste, mas só eu choro!
Só eu sobro na rua debaixo de chuva.
Você está guardada, abraçada e aquecida...
E eu, apenas esquecida...


Autora: Julia Niemeyer

Match Point

E quando eu achei que a vida era boa...
E quando eu achei que não existia mais sofrer...
Era bem óbvio que ia doer.

Eu que achei que você não mais me machucaria.
Eu que achei que pra você eu era a única...
Eu já deveria saber...

A vida se repete! De novo e de novo...
É como a bola na raquete...
É como aquele som torto...
Eu já deveria saber...

Por que se iludir com o final
De uma história sem fim?
A ilusão do presente eterno...
Eu já sabia que ia acabar infeliz...


Autora: Julia Niemeyer

Pensamentos

Eu não quero esse futuro!
Ele não é bom pra mim.

Quero acabar o caminho aqui.
Quero que vocês esqueçam que existi.

Quero que me deixem ir
Disfarçando lágrimas, pois estarei a rir!

Não vale a pena mentir.
O amor de vocês não é o bastante pra mim.

Mil desculpas pela declaração!
Mil desculpas se dores lhes doerão...

Mas a minha é pior que a sua.
A dor de não ser amada me deixou nua.

Parem, então, de me trair.
Por que simplesmente não me deixam partir?

Por dentro já estou morta.
Por fora só restou a velha caixa amorfa.

Calhou de pararem o tempo!
Ele não passa e estou ao relento.

Chegou!
Acabou.

Saí.
Morri.


Autora: Julia Niemeyer

A vontade à vontade.

Peço por favor.
Imploro com o resto
Da força que me resta.
Ajude-me,
Guie-me.

Quero saber ir embora.
Quero saber andar.
Quero tapar os olhos
E passar pela corda bamba.
Não me importo com a queda.
Não mais...

Ajude-me a dizer adeus.
Ajude-me a deixá-la ir.
Eu quero ir embora daqui,
Eu quero esquecer
Que tudo isso aconteceu.

Eu preciso amar o meu eu.
Eu preciso ansiar pela minha nova vida.
Eu preciso dar braçadas largas,
Preciso ganhar a corrida.
Eu preciso querer...

Ajude-me a continuar a ser!
Eu quero esquecer,
Eu quero esquecer.
Não dela, mas desse sofrer.
Eu não quero mais doer...

Ajude-me a respirar,
Ajude-me a ficar.
Ajude-me a voar e não
Deixar-me cair.
E como eu quero cair...

Acabou e secou.
O rio secou! Peixe morto,
Não lhe daremos vida de novo.
Da tua carne podre não comeremos.
A tua vida foi em vão!


Autora: Julia Niemeyer

15/06/2009

Testamento

Estou escrevendo no escuro.
Não vejo o que escrevo,
Assim facilmente esqueço.
Aqui estará meu testamento.

Será um testamento pra vida,
Pois pra mim ela é a morte.
Quero apenas dormir a não acordar.
Acordar é o meu único pesadelo.

Quero viver na vida dos sonhos
Que posso controlar.
Não quero viver essa morte
Descontrolada do sol a raiar.

Quero apagar e não acender.
Quero sumir e não aparecer.
Meu consciente me pesa e me dói,
Pois não quero ter que tentar esquecer!

Quero calar todas as vozes,
Quero bater em todas as faces,
Quero sair e bater a porta.
Quero jamais dizer adeus.


Autora: Julia Niemeyer

11/05/2009

AA

Entre,
Entre e tire minha razão.
Deixe a dor tomar o lugar
Da minha antiga paixão.
Deixe ela se alimentar...

Tire de mim a vontade,
Tire de mim qualquer necessidade.
Só me deixe lá no chão.
Me ponha num caixão,
Me enterre o mais longe.

Entre e me faça parar de sonhar.
Apague o brilho do meu olhar,
Me faça esquecer do mundo,
Me deixe afundar bem fundo
Nesse mar de nada.

Me deixe cair e bater no chão.
Me deixe quebrar ossos,
Me deixe cortar carnes,
Me deixe deixar de ser eu.

Eu não quero mais ser eu.
Eu não quero mais tentar ser
Qualquer coisa que exista pra ser.
Então entre e me consuma.
Entre e me mate, me desfigura.

Eu não quero mais ser.


Autora: Julia Niemeyer

07/05/2009

Seulement seule

Comme d'habitude
Je dors seule.
Je suis perdue
Dans un rêve brumeux.
Je ne respire plus.
Comme d'habitude

Comme d'habitude
Je me lève rêvasseuse
Avec l'espérance d'un fou.
Je prends un café
Et souris seule.
D'habitude en habitude...


Autora: Julia Niemeyer

16/04/2009

Fetus

Oh, I’m at such a loss
That no harm or good
Can now reach me!

Desperation calls me,
So that I wake up
From my day dreams.

But those are not
My desperation.
I’m living fine,
With no touch of real life.

This amniotic bag
I’m now living in
Is just getting stronger!
And I’m not even close to being born.


Autora: Julia Niemeyer

Book remarks

I can waste as much time as I can stand just thinking through how I can manage to breathe…how hard it’s been to remember to do it.
Every time I wake up, not that I had ever slept to begin with, I realize that my mind had been just dull, in a way that almost hurts to be back to real life! And I beg for no sound of this world drag me out of my speculations, my new life…their life…
Is almost not fair to those who stay here, begging me to open my eyes and see them, feel them…I really pity them, I really do. It’s not my fault, though…I see their irritation, their grief, I want to make them understand me, I want to make them smile and carry on without me…but it’s just not fair to them, I know it isn’t! And would it be for me?
After a little while, I just end up at the first part of my thoughts, the breathing part. I realized that the reluctance I have to inhale the oxygen that’s left for me isn’t because my lungs don’t work! I know now that going to any hospital hoping to find something wrong isn’t really going to help!
As if I ever thought that it would…You see, I just don’t breathe right because, deeply inside my very clouded mind, I don’t want to. I’ve been just thinking about this for a long time, and I failed them…I’m not even trying to do it right, I’m not trying to save my life, I don’t want to do it…And they are angry with me, and I am so sorry. It’s like I don’t have much of a soul anymore! That’s it, someone stole my soul, they did it, despite the fact that they don’t really exist. Anything I can think of right now can carry my body to the life I have to live. Anything my mind is thinking, it hasn’t anything to do with that.
Oh! I’m sorry I can be so stubborn. I’m sorry I don’t think much of this life they share with me…they should understand, but I don’t blame them for not doing it. Yes I feel like a kid, I feel like a crazy person. I don’t wanna die, you know…I just don’t want this life for me anymore. It doesn’t suit me. I’m just an empty body, no soul, no substance, no feelings. I’m in a crust, and inside it there’s a whole world that I face alone, and that no one can break in. A world of my own, only those who seem to have stolen my essence can bother me there…only the ones that don’t live, but have done much to stole my soul, even without any touching grasp.
And now all that’s left of me is this: a stinking poem in prose!


Autora: Julia Niemeyer

09/03/2009

Amores, zeros

Mais de mil e uma noites
Mil e um amores
Mil e uma flores
Mil e uma dores

Mil e uma risadas
Mil e uma pisadas
Mil e uma forças
Mil e uma fisgadas

Mil e um choros
Mil e um coros
Mil e um abraços
Mil e um laços

Mil e uma desculpas
Mil e uma histórias
Mil e uma vitórias
Mil e uma derrotas

Mil e um anos
Mil e um escombros
Mil e um guardados
Mil e um descontos

Mil e um contos
Mil e um no escuro
Mil rodeios
Mas só um amor verdadeiro


Autora: Julia Niemeyer

Laissez-moi

Vá logo ser gauche na vida
E pare de bater na minha porta.
Eu também estou sendo torta.

Nem para um lado, nem pro outro...
Eu estou praticamente morta.
É só parar de me atormentar.

Não quero saber o que é bom.
Quero simplesmente ser, o que tem de mau?!
Eu sei que posso pensar e falar!

Não gosta do meu tom?!
Tape os olhos, tape os ouvidos, ignore o som...
E vá logo ser o que for na TUA vida!


Autora: Julia Niemeyer

28/02/2009

As horas

E há sempre horas
Em que você se depara com o presente.
O presente nem sempre é prazeroso.
Esse de agora é bastante penoso!

E que dor no peito dá,
Saudades do tempo que não voltará.
Quero me sentir bem outra vez,
Quero bondade poder exalar...

Pode parecer loucura e invenção,
Mas todos sentem pelo cheiro,
Pelo ar, a sua emoção!

Quero exalar felicidade,
Ternura, beleza...
Quero exalar firmeza!

Quero inalar tudo do bom e do melhor,
Quero querer acordar...
Quero querer ir dormir...
Quero não saber do pior!

Me está sendo doloroso viver
E todos fecham os olhos
Para não me ver
Chorar com olhos já inchados.

Não importa quantos amigos você tenha.
2 namoradas, 6 amantes e 20 familiares!
Você pode se contentar ao fazer contas pelos ares...
Mas ninguém estará lá com você,
Independente da dor que lhe doer.


Autora: Julia Niemeyer

24/02/2009

Desprezível ser o selo que a sociedade espera...


Eu sempre quis ser canhota.


Autora: Julia Niemeyer

Futuro passado

De mil dores já sofri:
Perda dele e dela,
Daquele cachorro banguela...
Já sofri de dor de amor
Não correspondido.
Já sofri de coração partido...

Já sofri de dor incontrolável,
E agora me vem esta:
A dor de reconhecer que
O futuro foi fracassado...

Dessa dor para sempre sofrerei.
Uma dor que ninguém vê!
A dor de não vencer
A batalha que merecia ganhar.

E ainda vem a pior...
Quando outrem sua luta
Não reconhece, desmerece.
Todos só dizem que ela perece...

E dessa dor sozinha,
Com pouca esperança,
Coração vazio, forças eu tiro.
E para a nova luta
Me encaminho.
Com essa dor, sozinha...


Autora: Julia Niemeyer

Tempestade noturna

Olha a chuva que cai!
Olha a chuva...
Olha o chão que ela molha,
Olha o pé que ela escorrega!

Olha a chuva de tristeza
Curando olhos amargurados.
Olha a dor que a condensa,
Infeliz, incurável.

Olha o rio de lençol,
Azul como o céu limpo.
Olha como tudo ensopa.
E o travesseiro não se salva...

Olha a chuva que cai
Fazendo poças pelo quarto.
Olha a nuvem que se vai...
Até nosso próximo encontro!


Autora: Julia Niemeyer

10/01/2009

Prece ao vazio

Acabo de perder minha poesia
Nas linhas tristes desse vazio.
Tudo que me resta é o calor
Que procuro para esse frio.

Um outro corpo para me entreter.
Um Bobo da Corte
Para me fazer esquecer.

Um amor perdido que me faça pensar,
Nos tempos bons e no que viera de lá.
Mas eu só penso no vazio.

Abro o meu baú facilmente.
Gotas lavam minha face,
Lavam minhas preces.
E vão lavar, agora, o vazio que só cresce.

No baú escuro, nem uma voz me estremece.
Nenhum cheiro me desperta,
Nenhum canto a mim chama.
E é só em chama...e agora perece.


Autora: Julia Niemeyer

Tempos de amor inacabável

O tempo é algo que se perde fácil.
E não se arrasta como em relva...
O que temos de fazer é decidir
Como gastar o que nos resta.

Houve uma época em que eu era
O seu maior passa-tempo.
A partir de um certo dia,
A felicidade por mim lhe viera.

Se o seu amor, então, vacila,
É pelo fim que ele impera.
Então eu volto de mãos vazias
Transformada em uma fera.

E as lembranças dos sorrisos.
Do relógio girando a esfera,
Do não saber pelo que se espera.
Tempos de amor inacabável.


Autora: Julia Niemeyer