A cada vez que uma estrela
Do céu cai com sua cauda em chamas
Eu penso em Febo que
Por uma promessa infortúnia
Se contenta com o filho
Apenas em lembranças.
A ignorância de Faetonte
Certamente nos toca ao lamento,
Mas sua coragem e determinação,
Que não o salvaram da queda ao Eridano,
O ornamentam com palavras de admiração:
“Hic situs est Phaeton, currus auriga paterni,
Quem si non tenuit, magnis tamem excit ausis”
Tua beleza para sempre nos comoverá,
Mesmo que encendiastes a terra, o céu e o mar.
Desculpe-me: minhas lágrimas não são de âmbar.
Autora: Julia Niemeyer
30/12/2010
02/12/2010
Do momento
Eu não gosto de dizer que fui
Nem gosto de dizer que serei.
Afinal, sei apenas o que sou
E talvez, muito talvez,
O que quero ser.
Quando fui o que fui, eu simplesmente era.
E em uma outra era
Eu pensava, sentia,
Respirava, andava,
Ria, via e ouvia
Do amanhã jamais saberei.
Não sei dizer como caminharei,
Como ouvirei, andarei, pensarei.
Se é que pensarei...
Se é que viverei...
Mal sei do agora.
Mal sei deste instante...
Mal aproveito este segundo,
Mal penso, mal respiro, mal ando.
Mal vivo...
Maldito o tempo que sempre ganha.
Maldita a memória que se perde.
Malditas as ambições que me cercam.
Malditos os desejos que me afobam.
E o pensamento...
O pensamento que em fim me mata.
Autora: Julia Niemeyer
Nem gosto de dizer que serei.
Afinal, sei apenas o que sou
E talvez, muito talvez,
O que quero ser.
Quando fui o que fui, eu simplesmente era.
E em uma outra era
Eu pensava, sentia,
Respirava, andava,
Ria, via e ouvia
Do amanhã jamais saberei.
Não sei dizer como caminharei,
Como ouvirei, andarei, pensarei.
Se é que pensarei...
Se é que viverei...
Mal sei do agora.
Mal sei deste instante...
Mal aproveito este segundo,
Mal penso, mal respiro, mal ando.
Mal vivo...
Maldito o tempo que sempre ganha.
Maldita a memória que se perde.
Malditas as ambições que me cercam.
Malditos os desejos que me afobam.
E o pensamento...
O pensamento que em fim me mata.
Autora: Julia Niemeyer
23/08/2010
Lute por outro
O vento corre pelas brechas
De janelas e portas entreabertas
Trazendo o novo,
Passando o tempo,
Levando o velho e seu testamento.
O vento sopra por entre flores,
Carrega folhas misturando cores,
É um guerreiro de muitas dores.
O vento forma ondas
Que vão e vem
Trazendo achados,
Levando perdidos,
Que agora serão de ninguém.
O vento brinca no rosto da menina.
Enxuga suas lágrimas
Trazendo alívio e harmonia.
O vento luta pra nos mudar,
Mas de que adianta
Se sempre queremos voltar?
Nos recordando em nostalgia
E chorando o choro para ele secar?
Nós seres humanos somos
Escravos da mente e cegos pelo coração.
Não temos jeito, somos caso perdido.
Ouvimos sua voz,
Seu grito exasperado
Que de seu seio desesperado
Se mistura com o ar
Para enfim nos tocar.
Ouvimos sua voz,
Mas apesar de todo o esforço
Que nos atinge com sufoco,
Estamos sempre olhando para trás.
Sua luta não é para nós.
Autora: Julia Niemeyer
De janelas e portas entreabertas
Trazendo o novo,
Passando o tempo,
Levando o velho e seu testamento.
O vento sopra por entre flores,
Carrega folhas misturando cores,
É um guerreiro de muitas dores.
O vento forma ondas
Que vão e vem
Trazendo achados,
Levando perdidos,
Que agora serão de ninguém.
O vento brinca no rosto da menina.
Enxuga suas lágrimas
Trazendo alívio e harmonia.
O vento luta pra nos mudar,
Mas de que adianta
Se sempre queremos voltar?
Nos recordando em nostalgia
E chorando o choro para ele secar?
Nós seres humanos somos
Escravos da mente e cegos pelo coração.
Não temos jeito, somos caso perdido.
Ouvimos sua voz,
Seu grito exasperado
Que de seu seio desesperado
Se mistura com o ar
Para enfim nos tocar.
Ouvimos sua voz,
Mas apesar de todo o esforço
Que nos atinge com sufoco,
Estamos sempre olhando para trás.
Sua luta não é para nós.
Autora: Julia Niemeyer
14/06/2010
Ponto de partida
Sentir.
Querer.
Contrair-se.
Mover-se.
A inércia lhe deixou,
A pior parte passou.
Parabéns a você
Que a física desafiou
E ultrapassou!
O movimento produz corrente.
A corrente produz vento.
Vento produz circulação.
E circulação previne doenças
E lhe mantém são.
Largar um velho vício
É difícil, mas não impossível.
Querer é poder,
O poder está apenas em suas mãos
E não é perecível.
Agora é a hora do sacrifício,
Você precisa ser guiado,
Não procure fazê-lo sozinho.
É preciso conhecer antes o caminho
Para sair desse escuro labirinto.
Boa sorte!
Autora: Julia Niemeyer
Querer.
Contrair-se.
Mover-se.
A inércia lhe deixou,
A pior parte passou.
Parabéns a você
Que a física desafiou
E ultrapassou!
O movimento produz corrente.
A corrente produz vento.
Vento produz circulação.
E circulação previne doenças
E lhe mantém são.
Largar um velho vício
É difícil, mas não impossível.
Querer é poder,
O poder está apenas em suas mãos
E não é perecível.
Agora é a hora do sacrifício,
Você precisa ser guiado,
Não procure fazê-lo sozinho.
É preciso conhecer antes o caminho
Para sair desse escuro labirinto.
Boa sorte!
Autora: Julia Niemeyer
31/05/2010
Aprendiz
Ensina-me a ignorar a falta de paz.
Ensina-me a cavar e sentir
A força que a terra me traz.
Ensina-me a extrair da dor a felicidade,
Poder e capacidade.
Ensina-me a me reerguer sem você.
Aprendo e esqueço.
Para cada passo há um tropeço,
Então me ensino a me reerguer.
Sentir a dificuldade não é fácil.
O fácil é ser feliz.
O difícil é aceitar o sofrer.
Tirando todas as peças do lugar,
Começo a me recolocar,
Pois o fácil...é vulgar.
Autora: Julia Niemeyer
Ensina-me a cavar e sentir
A força que a terra me traz.
Ensina-me a extrair da dor a felicidade,
Poder e capacidade.
Ensina-me a me reerguer sem você.
Aprendo e esqueço.
Para cada passo há um tropeço,
Então me ensino a me reerguer.
Sentir a dificuldade não é fácil.
O fácil é ser feliz.
O difícil é aceitar o sofrer.
Tirando todas as peças do lugar,
Começo a me recolocar,
Pois o fácil...é vulgar.
Autora: Julia Niemeyer
11/04/2010
Exaustão
Eu daria a minha vida por você.
Mas como posso isso fazer
Num momento em que
Nem mesmo eu a tenho?
Eu lhe daria minhas gargalhadas
Para alegrar seu sorriso e sua voz.
Mas isso também não posso fazer,
Pois pouco gargalho e pouco sorrio.
É triste pensar que eu quero tudo,
Que eu te quero e quero te dar o mundo,
Mas que não alcanço,
Não consigo.
E eu quero correr sem pés,
Te chamar sem boca,
Te abraçar sem braços
Te dar o que não tenho,
Tentar o que não posso,
Fazer o que não conheço.
Eu te amo sem coração.
Eu escrevo sem paixão.
Nada mais me sobra,
Cheguei à exaustão.
Autora: Julia Niemeyer
Mas como posso isso fazer
Num momento em que
Nem mesmo eu a tenho?
Eu lhe daria minhas gargalhadas
Para alegrar seu sorriso e sua voz.
Mas isso também não posso fazer,
Pois pouco gargalho e pouco sorrio.
É triste pensar que eu quero tudo,
Que eu te quero e quero te dar o mundo,
Mas que não alcanço,
Não consigo.
E eu quero correr sem pés,
Te chamar sem boca,
Te abraçar sem braços
Te dar o que não tenho,
Tentar o que não posso,
Fazer o que não conheço.
Eu te amo sem coração.
Eu escrevo sem paixão.
Nada mais me sobra,
Cheguei à exaustão.
Autora: Julia Niemeyer
01/03/2010
Peace, please.
Someone must teach me
Not to let anyone stab me,
Not to let anyone step on me,
And not to love the ones that do so.
Please, oh please, teach me
Not to praise the one who let me broken,
Not to go back to the black whole I came from,
Not let myself sink down again.
Teach me how to call for help,
To do things for my own good,
To let go of the past and move on
From the surface to shore.
Teach me to keep on fighting,
To remember the victories and conquers.
I want to leave the war as a winner,
I want to leave the war...alive.
Autora: Julia Niemeyer
Not to let anyone stab me,
Not to let anyone step on me,
And not to love the ones that do so.
Please, oh please, teach me
Not to praise the one who let me broken,
Not to go back to the black whole I came from,
Not let myself sink down again.
Teach me how to call for help,
To do things for my own good,
To let go of the past and move on
From the surface to shore.
Teach me to keep on fighting,
To remember the victories and conquers.
I want to leave the war as a winner,
I want to leave the war...alive.
Autora: Julia Niemeyer
Retrocesso
Minha honestidade trai a si,
Minha força de vontade luta contra o espelho
E minhas palavras traem minha língua e meus dentes
Toda vez que te vejo.
O sentimento não condiz com o pensamento:
Me dói o corpo quando me sorri o coração.
Estou louca, desentendida e desamparada
Toda vez que te vejo.
Voltei à prisão. Voltei ao desespero.
Quero cuidar, e assim de mim eu descuido.
E me dói o corpo quando me sorri o coração.
Toda vez que te vejo...
Sou duas pessoas em uma.
Sou confusão e certeza,
Traição e segurança,
E agora estou longe e fecho os olhos.
É você que vejo todo o tempo,
Mesmo quando não mais enxergo.
Não sei o que faço, pois não sei o quero.
E me dói o corpo enquanto a mente me trai,
Enquanto a memória me destrói.
Voltei a ser o pássaro atrás das grades.
Meu canto é abafado pelo som da tristeza,
O meu todo é agora dividido em partes...
E todas elas desiguais.
Autora: Julia Niemeyer
Minha força de vontade luta contra o espelho
E minhas palavras traem minha língua e meus dentes
Toda vez que te vejo.
O sentimento não condiz com o pensamento:
Me dói o corpo quando me sorri o coração.
Estou louca, desentendida e desamparada
Toda vez que te vejo.
Voltei à prisão. Voltei ao desespero.
Quero cuidar, e assim de mim eu descuido.
E me dói o corpo quando me sorri o coração.
Toda vez que te vejo...
Sou duas pessoas em uma.
Sou confusão e certeza,
Traição e segurança,
E agora estou longe e fecho os olhos.
É você que vejo todo o tempo,
Mesmo quando não mais enxergo.
Não sei o que faço, pois não sei o quero.
E me dói o corpo enquanto a mente me trai,
Enquanto a memória me destrói.
Voltei a ser o pássaro atrás das grades.
Meu canto é abafado pelo som da tristeza,
O meu todo é agora dividido em partes...
E todas elas desiguais.
Autora: Julia Niemeyer
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