O vento corre pelas brechas
De janelas e portas entreabertas
Trazendo o novo,
Passando o tempo,
Levando o velho e seu testamento.
O vento sopra por entre flores,
Carrega folhas misturando cores,
É um guerreiro de muitas dores.
O vento forma ondas
Que vão e vem
Trazendo achados,
Levando perdidos,
Que agora serão de ninguém.
O vento brinca no rosto da menina.
Enxuga suas lágrimas
Trazendo alívio e harmonia.
O vento luta pra nos mudar,
Mas de que adianta
Se sempre queremos voltar?
Nos recordando em nostalgia
E chorando o choro para ele secar?
Nós seres humanos somos
Escravos da mente e cegos pelo coração.
Não temos jeito, somos caso perdido.
Ouvimos sua voz,
Seu grito exasperado
Que de seu seio desesperado
Se mistura com o ar
Para enfim nos tocar.
Ouvimos sua voz,
Mas apesar de todo o esforço
Que nos atinge com sufoco,
Estamos sempre olhando para trás.
Sua luta não é para nós.
Autora: Julia Niemeyer