05/10/2007

Obra Fictícia

Quando não estou contigo
Meu coração está em pedaços.
Você leva consigo
Uma manta de retalhos
Do meu tecido muscular.

Você a usa para se cobrir
E se proteger.
Você a usa para
Fazer-me enlouquecer.

Pega meu coração.
Recorte e colagem,
Quanta fascinação.
Não deixo, porém,
De olhar-te com imensa
Admiração, bobagem.

Fica com sua arte,
Sua obra de ficção.
Eu a vejo montá-la
E esqueço-me do porém.
No final há de não querê-la
Jogando-a para o além.

Esquece-se de mim, então.
Come da poupa do meu coração.
Faz a farsa do ator no palco.
E eu me engano; aplaudo.
Sou a platéia dos idiotas,
Dos enlouquecidos
E você nem me nota.

Mas eu cego,
Surdo e mudo
Danço à sua volta.
Celebro o meu cansaço,
Esquecendo-me da despedida
Do errante amor, horror.
E da rejeitada obra
Que nenhum vestígio deixou.

Autora: Julia niemeyer

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