Em cima do palco
Começado o espetáculo,
De cortinas abertas,
Em pé estava Norma,
E lá ela contava sua história.
E a assistia abismada
de ouvidos e olhos abertos
A via e a escutava.
Suas palavras eu reproduzia,
Enquanto seus sons ecoavam
Na minha mente vazia.
Norma, séria, me olhava.
Mandou-me sentar.
Sentei-me e fiquei lá.
Uma forte luz, porém, acendeu
E de suas palavras Norma se esqueceu.
Eu, então, despertada me mexi
E, ignorando Norma, levantei
E por mim respondi.
Apropriei-me da fala,
Lembrei-me de minha história,
Enquanto sons ecoavam
Da boca fechada de Norma.
E o espetáculo em si terminou.
Sem platéia e sem aplauso
O grande show de disfarces
Em minha vida se encerrou.
A cortina vermelha enfim se fechou.
Foi dizendo adeus à Norma,
Que agora livre estou.
Autora: Julia Niemeyer
2 comentários:
Sou fascinado por tudo que é belo... Bela poesia.
Muito boa, gatinha! Saudade sua!
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