Não quer sair.
Já abri os olhos.
As palavras não querem sair.
Já abri a boca.
O cheiro não quer sair.
Já abri a janela.
O sangue não quer sair.
Já abri a pele.
A dor não quer sair.
Já abri meu refúgio.
Ela não quer sair.
Já abri o caminho.
Eu não quero sair.
Me voltou o vazio.
Quero fugir.
Quero fugir.
Quero fugir.
Quero fugir.
Autora: Julia Niemeyer
4 comentários:
As suas palavras personificam aquelas coisas que impregnam, que grudam, que não soltam, que não tomam o seu caminho (e que, analogamente, também nos impedem de seguir o nosso).
Às vezes precisamos nos desprender, nos libertar de certas coisas, de certas pessoas... mudar é uma das ações mais positivas que eu já experimentei... deixar alguns pedaços para trás e buscar avançar mais um passo, subir mais um degrau, enfim... se permitir crescer.
Praticar o desapego é duro, é difícil, é doído... mas é necessário.
Doido é não praticar o desapego!
Sei bem o que você quer dizer, mas não é tão fácil quanto parece.
E eu ainda quero saber seu nome.
não é tão fácil?
é uma das coisas mais difíceis que têm... eu mesmo reconheço minha dificuldade em me livrar de determinadas coisas... pessoas...
pode parecer irônico dizer isso, mas é um fato: vc, por exemplo, é uma pessoa da qual a minha mente ainda não conseguiu se desapegar por completo.
além do que a pessoa nunca sabe se o desapego é algo positivo e necessário, ou se constituiria um ato precipitado, digno de futuros arrependimentos. é foda...
eu experimentei 3 anos de namoro... vc achar o ponto certo de praticar o desapego (ou não) é de uma dificuldade inexplicável...
eu sou o outro anônimo
o meu nome vc já tem
se é que queria mesmo
=)
esse foi o que eu mais gostei
foi bem claro
desapegar e pronto.
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