10/08/2009

A morte dos princípios

Eu estou trabalhando na minha morte.
Estou me desintegrando como posso,
Estou apodrecendo aos poucos,
Estou esvaziando e murchando.

Eu estou desaparecendo,
Estou me batendo, me machucando,
Estou liberando o vazio,
Estou deixando um vácuo sentido.

Eu vou morrer completamente.
Vou mudar esteticamente,
Vou deitar, apagar, fechar os olhos,
Vou parar de falar.

Eu vou deixar de responder ao mundo,
Vou deixar meu corpo em desuso,
Vou parar de escutar, de andar,
Vou me manter no seguro.

Vou renascer completamente.
Um novo eu. Uma nova você
Em mim vai se erguer.
Eu terei nova alma e nova mente.

Caminharei novos caminhos,
Pensarei novos pensamentos.
Terei novos conceitos,
Respirarei novamente.

Vou surgir das cinzas do passado,
Pra construir um novo futuro.
Vou me matar para viver
Deixando de viver por você.


Autora: Julia Niemeyer

10 comentários:

lift disse...

A poesia possui uma riqueza extraordinária.
Acho que nós dois sabemos disso.
Uma das entrelinhas mais interessantes que a poesia pode proporcionar é a tradução do conceito de morte em um conceito de mudança.
A morte significaria o sepultamento de um passado e o ingresso numa perspectiva futura. O ocaso do velho e a introdução do novo.

Eu tenho lido muito a palavra 'morte' nos seus poemas. Às vezes vejo no modo como vc a emprega um certo pessimismo típico do seu conceito literal mesmo... estou um pouco confuso.

Como você vê essa questão da morte verdadeiramente nos seus poemas?

Julia Niemeyer disse...

Depende do poema.
às vezes é simplesmente a morte finita, pela qual todos nós temos que passar, que acaba com um corpo morto debaixo da terra servindo de comida pra minhocas e afins e outras vezes tem o sentido que você explicou há pouco.
Você até que me entende direitinho...

lift disse...

que bom que eu lhe entendo, pelo menos um pouquinho =)

aliás, as suas aulas começaram já ou só no dia 17? ansiosa?

Julia Niemeyer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lift disse...

Também acho justo.
Não me atrevo nem a contra-argumentar... vc está certa... isso já deve estar um saco.
A fraqueza é minha...

Julia Niemeyer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lift disse...

hahahaha

tá por cima!

Anônimo disse...

De um certo modo, você fala da morte, mas no fundo você não quer morrer.Quer apenas mudar a situação que está, sepultando o que existiu de ruim nos últimos anos.
Vá lá, todos passam por momentos difíceis, todos absorvem à sua maneira.Mas no fundo talvez, você não queria morrer.Mas mudar a situação em que se encontra no momento, talvez a morte como uma solução.
Mas porque não a morte, dos pensamentos tristes, das más perspectivas e recordações?!

Agora começo a entender você.

lift disse...

parabéns,

fizeste uma bela embromação do que eu sintetizei anteriormente...

Anônimo disse...

Não escondo que sua avaliação foi muito boa, tanto que me fez enxergar, tanto que me fez entender melhor a forma como ela expõe seus sentimentos em um poema ou poesia como vc preferir...

e o que disse foi a forma como passei a entende-la.

sem ofensas.