Vá logo ser gauche na vida
E pare de bater na minha porta.
Eu também estou sendo torta.
Nem para um lado, nem pro outro...
Eu estou praticamente morta.
É só parar de me atormentar.
Não quero saber o que é bom.
Quero simplesmente ser, o que tem de mau?!
Eu sei que posso pensar e falar!
Não gosta do meu tom?!
Tape os olhos, tape os ouvidos, ignore o som...
E vá logo ser o que for na TUA vida!
Autora: Julia Niemeyer
Um comentário:
''pare de bater na minha porta.''
''Não quero saber o que é bom.
Quero simplesmente ser, o que tem de mau?!
Eu sei que posso pensar e falar!''
''Não gosta do meu tom?!
Tape os olhos, tape os ouvidos, ignore o som...
E vá logo ser o que for na TUA vida!''
Esse poema exemplifica muita coisa. De um lado, revela como muitas pessoas - e olha que essas pessoas podem adquirir perfeitamente um caráter metafórico aqui - direta ou indiretamente, minam nosso crescimento como ser humano, minam nosso progresso, nossos planos, nossos desejos, nossas metas, nossos objetivos neste mundo.
Ao mesmo tempo, querer nada mais do que ''ser'', consagra a tendência intrínseca a todos nós de buscar sempre a simplicidade e a pureza em todas as coisas, em todos os gestos, em todos os comportamentos, em todos os sentimentos.
Por outro lado, a última estrofe muito me intrigou. Aliás, é uma cena perfeitamente imaginável. Por mais que vc tape os olhos, tape os ouvidos e ignore o som... bem... ainda há um coração batendo ali.
Por que esses versos me lembraram do amor? É mais uma pergunta que eu não quero me dar ao trabalho de responder, nem para mim mesmo.
Belo poema, Julia.
Obrigado.
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